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Um vagabundo do infinito. Por ter iniciado minha vida artística na ditadura sempre utilizei pseudônimos. Poeta da chamada "geração mimeógrafo". Colaborei em alguns jornais e revistas, criei e editei a revista "Energia", o programa de rádio "Solitário nunca mais", atuei e/ou dirigi diversos espetáculos teatrais, entre eles: "Teatro relâmpago Show", "Curso para Contemporâneos", "O Labirinto", "Noites em Claro", "Vida Acordada", "A Improvisação da Alma" e "Dorotéia". Criei e dirigi o grupo de pesquisa teatral "Vagabundos do Infinito". No momento além do single "Canção ao coração de Andressa" estou lançando o álbum musical "Misturadinho" em parceria com Paulo Guerrah e JMaurício Ambrosio.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Borges por Millôr (Esquecimento)

Por algum motivo, salvei isso aqui nos rascunhos do blog e esqueci de postar. Vai agora.

O Labirinto de Borges

Borges em seu labirinto. Labirinto que, além de seu mistério natural e ancestral, ganhou aqui, na composição, a profundidade misteriosa de livros, livros, livros - a biblioteca real e mística de Borges. A limitação do infinito. Em nome disso traduzi este poema de Borges. Não deixe de ler.

Millôr


LIMITES

De todas as ruas que escurecem ao pôr-do-sol,
deve haver uma (qual, eu não sei dizer)
em que já passei pela última vez
sem perceber, refém daquele Alguém

que, com antecedência, fixa leis onipotentes,
ajusta uma balança secreta e inflexível
para todas as sombras, formas e sonhos
tecidos na textura desta vida.

Se há um limite para todas as coisas e uma medida
e uma última vez, e nada mais, e esquecimento,
quem nos dirá a quem nesta casa
nós, sem saber, já dissemos adeus?

Pela janela que amanhece a noite se retira
e entre os livros empilhados que lançam
sombras irregulares na mesa baça,
deve haver um que eu jamais lerei.

Há uma porta que você fechou pra sempre
e algum espelho o esperará em vão;
para você as encruzilhadas parecem muito amplas,
mas há um Janus, vigiando você, nos quatro cantos.

Há uma entre todas tuas memórias
que agora está perdida além da evocação.
Você não será visto descendo àquela fonte,
seja à luz do sol claro, nem sob a lua amarela.

Você nunca recapturará o que o Persa
disse em seu idioma tecido com pássaros e rosas,
quando, ao pôr-do-sol, antes que a luz disperse,
você quer pôr em palavras tanto inesquecível.

E o Rhone fluindo sem parar, e o lago,
todo esse vasto ontem sobre o qual me curvo hoje?
Estará tudo tão perdido como Cartago,
queimada pelos romanos com fogo e sal.

Ao amanhecer parece ouvir o turbulento
murmúrio de multidões crescendo e dissolvendo;
tudo por que fui amado, esquecido,
espaço, tempo, e Borges, estão me deixando agora.

domingo, 30 de outubro de 2011

Para os anacrônicos do teatro e curiosos em geral...

Vamos devagar, ou divagar. Logo chegarei no teatro, mas vou começar por Millôr, o Guru do Méier.
Comecei a ler Millôr antes mesmo de saber ler. Lia seus desenhos no Pif-Paf. Logo que aprendi um pouco essa coisa de caracteres formando idéias, comecei de fato a lê-lo. Continuei lendo Millôr em todos os lugares onde ele escrevia, meio por acaso, porque entrava na minha casa. Depois, voluntariamente o lia no Pasquim. Findo o Pasquim, só o lia muito esporadicamente, assim ao acaso. Nunca deixei de gostar de seus textos. Por coincidência, também me formei na Universidade do Méier, mas essa é outra história. Como ele, também me aproximei do teatro, por outras vias, é verdade. Pois bem, agora vem o que interessa. Hoje, um tanto tardiamente, descobri, navegando pelo Universo Virtual (e qual não é?) que Millôr tem um site no qual, além de nos contemplar com muitas de suas obras, disponibiliza para download vários de seus textos teatrais e traduções. Portanto, se você se interessa por teatro (ou por Millôr, ou se apenas se interessa) vá correndo, antes que acabe. O link que vai abaixo é de uma tradução (de Millôr) de um poema de Borges. A partir daí, é só fuçar. Divirtam-se.

http://www2.uol.com.br/millor/aberto/textos/005/002.htm