Talvez você me ame mais do que pensa
Até porque pensar não tem muito a ver com isso
Talvez não
Talvez a gente sequer saiba o que é amar
Pode ser uma disfunção hormonal
Um distúrbio glandular qualquer
Mal sabemos o que somos verdadeiramente
Ou onde estamos
Nossa ciência tem apenas hipóteses vagas
E imprecisas
Sem nunca ir ao âmago de nenhuma questão
Doce pretensão a de saber aonde levam
Os caminhos do coração
Talvez nossos caminhos se encontrem
Como paralelas no infinito
Talvez sigam direções opostas
Talvez seja difícil, talvez seja bonito
Tanto faz
Pode ser impossível precisar o destino
E no entanto
O encontro é preciso
E todo o resto pode ser cenário
Talvez o mundo possa ser parado
Talvez o tempo não possa mais ser medido
Talvez os sonhos possam ser reais
Pode ser que sejamos animais
Trancafiados no zoológico das idéias
Com a chave do lado de dentro
Talvez seja apenas uma opção
De abrir a jaula e ver o que nos espera
Do lado de fora
Ou aceitarmos os amendoins e as bananas
E nos limitarmos a jogar merda nos passantes.
Pomar.
Este é um blog de arte. Pode conter humor, magia, poesia, e sabe-se lá mais o que. Não tem absolutamente nenhum objetivo comercial. Um lembrete: os textos de minha autoria publicados aqui podem ser copiados, citados, reproduzidos, desde que referenciados a fonte e o autor. Para eventuais publicações de caráter comercial será necessária minha autorização expressa.
Quem sou eu
- Pomar (Kirinus Quântico)
- Um vagabundo do infinito. Por ter iniciado minha vida artística na ditadura sempre utilizei pseudônimos. Poeta da chamada "geração mimeógrafo". Colaborei em alguns jornais e revistas, criei e editei a revista "Energia", o programa de rádio "Solitário nunca mais", atuei e/ou dirigi diversos espetáculos teatrais, entre eles: "Teatro relâmpago Show", "Curso para Contemporâneos", "O Labirinto", "Noites em Claro", "Vida Acordada", "A Improvisação da Alma" e "Dorotéia". Criei e dirigi o grupo de pesquisa teatral "Vagabundos do Infinito". No momento além do single "Canção ao coração de Andressa" estou lançando o álbum musical "Misturadinho" em parceria com Paulo Guerrah e JMaurício Ambrosio.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Palavras
Palavras, palavras,
o que são as palavras?
Que substância as compõe?
Palavras não tem cheiro
nem sabor,
e você não pode pegá-las.
Pode talvez tocá-las com os dedos
quando as encontra escritas,
experimente agora.
E por mais suave e sensível
seja seu toque,
pouco poderá saber delas.
Você não pode comê-las,
pode apenas ler e ouvi-las
e tentar entender seu sentido,
mas não há sentido nenhum,
não pode ser sentido.
Sua substância é a mesma
que compõe o vento,
mas as palavras não agitam seus cabelos
nem arrepiam sua pele,
não têm dimensão.
Você não pode bebê-las
nem usá-las como um bálsamo,
não pode colhê-las.
Não pode nem mesmo percebê-las,
pois digo uma coisa
e você ouve algo diverso,
e nada pode ser definido
em palavras.
E no entanto
você não pode viver sem elas.
Estão em seu pensamento
todo o tempo
quando não é silêncio,
e o que você diz de algo
não é a coisa em si,
e o que tem da coisa no que diz
está no silêncio entre as palavras,
no espaço entre elas.
E o espaço é um lugar
muito perto do nada.
Palavras...
O que quero dizer
não pode ser dito
nem escrito,
você não pode saber
o que sinto.
Olhe em meus olhos
profundamente
e só verá o escuro,
o negrume que os guia para a luz
e, ainda assim, negrume.
E ver o escuro
é muito perto de nada ver.
Tente tocar minha pele
como tentou tocar as palavras
agora há pouco.
Pouco poderá saber de mim,
a não ser que habito um corpo
que não possuo
entre os segundos que pontuam a eternidade.
Minha morada
é o nada entre um tempo e outro tempo,
e seu toque desfaz
o pouco que restava de mim,
deixando apenas em seus dedos
o brilho sutil como um pó
do que fora a asa de uma borboleta
que me sonhou.
Palavras, palavras, palavras,
não posso tocá-la
com elas,
nem com meus dedos,
nem posso bebê-la com meus lábios,
não posso dizê-la.
Sou o silêncio entre elas
o espaço entre estrelas
que já se extinguiram,
mas cuja luz viaja infinitamente,
e as palavras
nada podem dizer do silêncio que as contém.
Pomar.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
The War on Consciousness - Graham Hancock (Legendado)
(Algumas legendas importantes estão muito rápidas, aconselho quem assistir a pará-las. Não concordo inteiramente com algumas questões místicas das quais ele fala, mas de resto, assino embaixo. Isso que eu não tomo Ayuasca (só tomei uma vez e era fraquinha e não fez efeito nenhum)).
Para deixar mais claro: somos hoje governados por quadrilhas (não só a do PT) que nos impõem drogas que amortecem nossa consciência - como açúcar, tabaco, álcool, cafeína, ritalina, etc. - e proíbe e criminaliza plantas que expandem nossa consciência. Não faz o menor sentido. Álcool, tabaco e açúcar são as drogas que mais matam gente e as que mais necessitam de serviços de saúde (quando não matam). Qualquer estatística feita no mundo prova isso.
É uma escravização deliberada. Estamos vivendo em humanheiros, atordoados, amortecidos e pagando (caro) e trabalhando para que nos deixem nesse estado deplorável.
Pela liberação da Consciência! Cada um é dono da sua (ou deveria ser) e sabe o que faz com ela (ou deveria saber). Pelo fim da desinformação e pelo debate aberto e sem preconceitos! Pela liberação de todas as plantas psicoativas ou seus princípios ativos.
Para deixar mais claro: somos hoje governados por quadrilhas (não só a do PT) que nos impõem drogas que amortecem nossa consciência - como açúcar, tabaco, álcool, cafeína, ritalina, etc. - e proíbe e criminaliza plantas que expandem nossa consciência. Não faz o menor sentido. Álcool, tabaco e açúcar são as drogas que mais matam gente e as que mais necessitam de serviços de saúde (quando não matam). Qualquer estatística feita no mundo prova isso.
É uma escravização deliberada. Estamos vivendo em humanheiros, atordoados, amortecidos e pagando (caro) e trabalhando para que nos deixem nesse estado deplorável.
Pela liberação da Consciência! Cada um é dono da sua (ou deveria ser) e sabe o que faz com ela (ou deveria saber). Pelo fim da desinformação e pelo debate aberto e sem preconceitos! Pela liberação de todas as plantas psicoativas ou seus princípios ativos.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
A saída, onde fica a saída?
Não tenha medo do
vazio.
Ele estará lá,
sempre, esperando.
Enquanto nos
agarramos desesperados às ilusões,
Mesmo às que não
sabemos serem ilusões,
O vazio nos espreita,
impávido.
Afoitos, tropeçamos,
esbarramos,
Comemos, lambemos,
nossa própria confusão.
Imploramos por ela, para
fugir do escuro.
Sim, lá dentro é
escuro e vazio.
E grande. Muito
grande.
Dá medo, eu sei.
Temos medo do que
podemos encontrar lá.
Talvez medo que não
haja nada.
Nada além do nada.
E não há.
Não conhecemos nada e
fingimos que sabemos tudo.
Só por medo, por ter
onde nos agarrar.
O bote salva-vidas da
cultura.
Ah, e não confunda
cultura não é arte.
E tem o Fazer. Fazemos...
qualquer coisa,
Fazemos e fazemos.
Só para não lembrarmos que ele está lá.
Bem lá dentro.
Esperando.
Vazio.
Não, não podemos
parar,
Não queremos olhar,
Não queremos saber.
Mesmo assim vou te
dizer.
É, sim, um grande,
tenebroso e assustador vazio.
Por um único motivo.
Simples assim.
Esse imenso vazio
Só existe
Porque você não está
lá.
Está aqui fora,
fugindo dele.
Entre, ocupe-o,
E não haverá mais
vazio nenhum.
Somos maiores por
dentro.
Pomar.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
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